Hazme canciones
Hechame flores-
April 18th, 2010a moça (L.B.)Um, dois, três, quatro, cinco, seis…. seis lançes de escada! E a cada degrau ela xingava em voz alta. Como odiava subir escada! Porque não colocavam um maldito elevador nessa porcaria?
Finalmente chegou ao último degrau e deu quatro passos até a porta. Sua chegada já era um ritual.
Sabia da visão que teria quando chegasse: mochila em cima da mesa ao lado de um copo com resto de café, uma barrinha de chocolate, um maço de cigarros e ele sentado olhando para ela.
Parou na porta aberta. Antes de observar lá dentro, respira profundamente. Bem demorado para sentir o cheiro de tinta (achava o cheiro do óleo uma maravilha). Ao soltar a respiração, larga os braços, deixa tudo cair no chão e vira a cabeça de lado sorrindo.
Ele já olhava para a porta desde que ouvira passos preguiçosos e alguns resmungos chegando.
- Oi charmosa! fecha a porta e descansa aqui ao meu lado.
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March 21st, 2010a moça (L.B.)O sol ainda brilhava. A menina, depois de dias barulhentos e pesadelos insistentes e maldosos, tomara a resolução. Decidira fazê-lo naquele mesmo dia (aproveitando a claridade do dia - o escuro lhe era algo assustador). Calçou, então, suas galochas e pegou, furtivamente, a pá de jardinagem de seu vizinho. Antes disso, porém, já havia colocado seu sentimento do mundo na caixinha (ele, em sua inocência juvenil, não poderia imaginar o que lhe aconteceria).
Com o corpo pesado e dolorido, dirigiu-se ao local onde colocaria seu plano em prática: o cemitério (que possuía uma peculiaridade: aquele não servia só para enterrar e guardar cadáveres humanos, mas qualquer tipo de inutilidade ou sentimentos que perderam o seu ser). Empurrou o grande portão de ferro e, diante de seus olhos, surgiu uma imensidão verde de cruzes brancas presas ao chão. O vento, matreiro, deu-lhe as boas-vindas, soprou-lhe a face e movimentou a saia de seu vestido. O tempo, naquele local lúgubre e sem qualquer inquietação, estava suspenso. O silêncio era apenas cortado pelo pipiar dos pássaros.
Por mais que fechasse os seus olhinhos para enxergar mais longe, a menina não conseguia ver as paredes do cemitério. As pessoas do mundo gostavam de enterrar aquilo que não queriam mais recordar; talvez em um momento de ilusão de que aquilo nunca mais lhes incomodaria. Com ela não era diferente.
Procurou o melhor lugar para enterrar o sentimento do mundo. E o encontrou sob a sombra acolhedora de uma grande árvore. Tirou sua pequena mochila das costas, agachou-se e apertou, com a palma das mãos, a terra. Sua mão afundou sobre a grama esplendorosamente verde e fofa (a grama escapava-lhe pelos dedos). Sim, aquele era o lugar ideal.
Com a pá de jardinagem que tomara emprestada do vizinho, a menina começou a cavar. Já nenhum pensamento lhe incomodava. Sua atenção voltara-se apenas para a atividade de revolver a terra e formar-lhe uma fenda. Cavou o suficiente para que o sentimento do mundo não pudesse escapar. Sete palmos.
Dolorosamente, com as mãos trêmulas, tirou-o de sua caixinha. Ainda tinha os olhos inocentes e resplandecia como o sublime. Quando percebeu que seria abandonado e enterrado por sua dona, o sentimentozinho, desesperadamente, agarrou-se à menina. Segurou-lhe os braços, em uma inútil tentativa de salvar-se e gritou. Implorou para que não fosse posto sob a terra. Se comportaria. Lágrimas. Lágrimas que cortavam o coração da menina, mas incapazes de convencê-la. Ela não poderia mais cuidar de seu sentimento do mundo sozinha. Não. Precisava voltar à vida. Tratou, então, de devolvê-lo à sua caixinha. Colocou-a, cuidadosamente, na nova e escura profundidade. Ainda ouvia suas súplicas e aquilo lhe perturbava e feria. Cobriu com a terra a pequena urna funerária o mais rápido que pôde (como se assim o sofrimento passasse em um instante). A respiração era difícil, seu coração pesava e os olhinhos, agora úmidos, contemplavam a terra que havia sido revolvida.
Nada mais havia a ser feito. Com as mãos nos ouvidos para não ouvir os gritos desesperados de socorro de seu sentimento do mundo, partiu. Correu rápido, com passos maiores do que sua perna agüentavam, em direção ao portão. O sol se apagara e dava lugar à escuridão.
Depois do terrível funeral, as horas e os dias passavam arrastados. Dias cruéis e dolorosos. A menina, mergulhada em sua tristeza, olhava para o espaço que a caixinha deixara em sua cômoda.
Na primeira semana, levou-lhe flores. Gérberas laranjas (elas exalavam, em um uníssono entendimento, o perfume da felicidade e da tristeza). Mas o caminho era difícil e tortuoso. E, afinal, o sentimento do mundo já estava sepultado. Em sua última visita, o céu, desprovido de qualquer alvoroço, irradiava sobre ela sua imensidão azul. O ar lhe era aconchegante. O silêncio só era quebrado pelo leve ruído de seus passos sobre a grama. A menina ajoelhou-se ao lado túmulo. Desta vez, além das gérberas, pousara sobre a nova morada do sentimento do mundo flores do campo (como as últimas que havia recebido). Não lhe deu explicações. Não lhe pediu para ter coragem. Não lhe falou das saudades que feriam o seu coração. Apenas cravou na terra a plaquinha que fizera: “aqui jaz o sentimento do mundo - desconhecidos foram o seu nascimento e sua morte – descanse em paz.” E foi-se embora, com o rosto inundado de lágrimas, sem olhar para trás.
JRGM
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October 4th, 2009a moça (L.B.)A Pessoa Errada - Luis Fernando Veríssimo
Pensando bem!
Em tudo o que a gente vê, vivencia, e ouve e pensa.
Não existe uma pessoa certa pra gente;
Existe uma pessoa,
Que se você for parar para pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa,
Faz tudo certinho,
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente está precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça,
Fazer loucuras,
Perder a hora,
Morrer de amor,
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar,
Que é pra na hora que vocês se encontrarem.
A entrega ser muito mais verdadeira,
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar,
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas,
Essa pessoa vai tirar seu sono,
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível,
Essa pessoa talvez te magoe,
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão,
Essa pessoa pode não estar cem por cento do tempo ao seu lado,
Mas vai estar cem por cento da vida dela esperando você,
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo,
Porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo,
O que é certo mesmo, é que temos que viver!
Cada momento, Cada segundo,
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo.
E só assim, é possível chegar, àquele momento do dia,
Em que a gente diz:
“Graças à Deus deu tudo certo”
Quando na verdade,
Tudo o que ele quer,
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente. -
September 20th, 2009a moça (L.B.)Dear,
Um litro de suco de laranja depois e eu posso te contar como é que acaba. Começa com aquela coisa de adimitir. Assumir. Mea culpa. Coisas assim. Um monte de cusparadas vem depois disso. Continua acabando com falta de educação e…eu ia dizer indiferença, mas na verdade indiferença faz parte do processo todo. A real. A que se finge. Está intrínseco. Entende o que eu quero dizer? Continua acabando com falta de educação. Quando coisas como um simples “obrigado” fariam diferença. Poderia ser o começo de uma conversa. É disso que eu estou falando. Conversar é bom. Dizem. E quem sabe acabar não fosse realmente necessário. Ou pelo menos não assim. Se é que você me entende. Conversar é bom, não é? Mas aí depois de fingir que conversou vem o silêncio. Continua acabando com o silêncio. Não me entenda mal. Você me conhece. Silêncio é bom. Eu gosto. Mas estou falando daquele outro tipo. Não foi comigo. Não aconteceu. Faz de conta que não aconteceu. Quem é você? Indiferença. Sabe como é. Está intrínseco. E aí um dia você se cansa e pensa “puta que pariu, vá tomar no cu, foda-se essa merda toda”. E aí acaba. Devagar. Gota a gota. Às vezes parece que não. Eu sei, dear. Mas acaba. Tudo acaba.
Volto em alguns dias.
Obrigada pela carta.
A. -
January 3rd, 2009a moça (L.B.)Um ano como tantos outros. Com embrulhos no estômago, bombons, passeadas por Drama Land, caminhadas na Terra do Nunca, apertos de mãozinhas com o coração doendo, encontrinhos para abraços, mais algumas doses, olhares sem palavras, gargalhadas por dentro, tonturas, sorrisos no canto da boca, palavras nas entrelinhas, pulos nas nuvens, coração na boca, canções que dizem tudo, tentando acreditar em fadas. Um ano como tantos outros.
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December 5th, 2008a moça (L.B.)Elizabeth: So what’s wrong with the Blueberry Pie?
Jeremy: There’s nothing wrong with the Blueberry Pie, just people make other choices
Tags: blueberry nights pie torta -
November 28th, 2008a moça (L.B.)
(e papai tem razão: Roberto é o rei)
Tags: postit, roberto carlos -
gracias
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November 17th, 2008fotografia -
October 30th, 2008a moça (L.B.), músicaI love you . But i gotta stay true
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October 27th, 2008a moça (L.B.), fotografia



