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Lembrete (na porta da geladeira)

(e papai tem razão: Roberto é o rei)

gracias

Yeah, yeah, yeah

I love you . But i gotta stay true

Você foi…

Deixando tudo para trás

(um litro de suco de laranja depois eu posso te contar)

.

where i end and you begin
(carta de Alice A.)

Dear,
Um litro de suco de laranja depois e eu posso te contar como é que acaba. Começa com aquela coisa de adimitir. Assumir. Mea culpa. Coisas assim. Um monte de cusparadas vem depois disso. Continua acabando com falta de educação e…eu ia dizer indiferença, mas na verdade indiferença faz parte do processo todo. A real. A que se finge. Está intrínseco. Entende o que eu quero dizer? Continua acabando com falta de educação. Quando coisas como um simples “obrigado” fariam diferença. Poderia ser o começo de uma conversa. É disso que eu estou falando. Conversar é bom. Dizem. E quem sabe acabar não fosse realmente necessário. Ou pelo menos não assim. Se é que você me entende. Conversar é bom, não é? Mas aí depois de fingir que conversou vem o silêncio. Continua acabando com o silêncio. Não me entenda mal. Você me conhece. Silêncio é bom. Eu gosto. Mas estou falando daquele outro tipo. Não foi comigo. Não aconteceu. Faz de conta que não aconteceu. Quem é você? Indiferença. Sabe como é. Está intrínseco. E aí um dia você se cansa e pensa “puta que pariu, vá tomar no cu, foda-se essa merda toda”. E aí acaba. Devagar. Gota a gota. Às vezes parece que não. Eu sei, dear. Mas acaba. Tudo acaba.
Volto em alguns dias.
Obrigada pela carta.
A.

Sex Tape

Borracha

a moça desejava apagar. precisava de uma borrachinha que se encaixasse perfeitamente entre seu dedo polegar e indicador. pequenininha assim para conseguir desaparecer cuidadosamente com marcas de unhas, roxos de mordidas, pés acariciando-se, carinhos discretos e ilusões.

o ritual era assim… se arrastava pelo espaço procurando o alvo. quando avistava algum, chegava bem pertinho para reconhecer. com a mão no bolso de seu vestido verde, sacava seu instrumento de ‘apagação’ e ficava lá tempos e tempos.

até deixar tudo limpo.

ela já havia ensaiado a muito tempo…

…e decidido que as tais palavras sairiam entre um beijo e outro. essas palavras ecoavam em sua cabeça toda vez em que nada pensava. que medo e que frio na barriga sentia quando imaginava qualquer desfecho contrário ao seu.

quando chegara o momento, as palavras ficaram mesmo só lá dentro. e por muitas vezes foi assim. se esforçava para que elas fossem entendidas por um abraço ou por um olhar, e as repetia mentalmente como se pudessem ser ouvidas.

mas não eram.